Ontem fiquei a noite inteira ajudando meu filho na lição de casa.
E, meu Deus, como isso é difícil.
Cada exercício parecia me empurrar um passo mais perto de explodir.
A cada erro dele, eu respirava fundo para não perder a calma.
Ali, diante do caderno aberto, percebi: a paciência é, talvez, a virtude mais dura da paternidade.
Não é só esperar.
É sofrer sem reclamar, suportar com esperança.
É carregar a cruz no silêncio do lar.
Enquanto ele tentava resolver os problemas, eu travava os meus próprios: o orgulho, a pressa, a vontade de mandar tudo às favas.
E percebi que, quando perco a paciência, na prática é como se eu odiasse a realidade que Deus me deu.
É como se dissesse: “não deveria ser assim, eu quero do meu jeito.”
Essa voz dentro de mim é o eco do pecado original: “sereis como deuses.”
Na paternidade, a tentação é a mesma.
Achar que meu filho deve aprender na velocidade da minha vontade.
Mas a verdade é dura: se ele não sabe, a culpa é minha.
Eu não ensinei direito.
Eu não tive constância.
Eu não multipliquei o talento recebido.
E foi ali, entre uma conta mal resolvida e uma explicação repetida pela quinta vez, que Deus falou ao meu coração:
“Eu quero você aqui. Treine aqui. Melhore aqui. Porque a vida ainda vai exigir muito mais paciência de você.”
De repente, percebi que aquela lição de casa não era só do meu filho. Era minha também.
Era Deus me ensinando a amar a realidade que eu tenho diante de mim.
Porque quando eu recuso essa cena, esse momento simples, repetitivo, cansativo, é como se eu dissesse que Deus errou, que Ele não sabe o que faz.
E isso é loucura.
Então, ali mesmo, decidi: vou amar essa realidade.
Porque quanto mais eu amo a realidade, mais eu amo a Deus.
E quanto mais amo a Deus de todo coração, mais Ele me ensina a amar de verdade, a amar meu filho, minha esposa, minha família.
É só nessa entrega total ao Seu amor que eu aprendo a amar direito.
Passada a tempestade da lição, ele me abraçou.
Olhou nos meus olhos e agradeceu.
E naquele abraço entendi que Deus estava certo: era ali que eu precisava estar.
E é aqui que a paciência deixa de ser só paciência. É aqui que ela se torna santa.
SANTA PACIÊNCIA!
DEUS EXISTE.
