Vou te dizer uma coisa difícil, mas necessária: a imaturidade dos nossos filhos é reflexo direto da nossa. Nós, pais, somos responsáveis pelos defeitos e fraquezas que vemos neles.
E o mais doloroso é perceber que, muitas vezes, o que mais nos irrita nos nossos filhos não é o erro em si, é ver neles os nossos próprios defeitos. Aquilo que ainda não resolvemos dentro de nós.
É desconfortável? É. Mas é justamente esse desconforto que faz parte do processo de amadurecimento, nosso e deles.
Hoje em dia, parece que a gente não deixa nossos filhos sentirem nada. Se passam frio, a gente corre pra ligar na escola. Se se frustram, a gente interfere pra evitar o choro. Se erram, a gente conserta. Mas o resultado disso é claro: crianças inseguras, dependentes e sem autonomia.
Quer um exemplo simples? A criança não sabe amarrar o próprio cadarço. Por quê? Porque, em vez de esperar ela tentar, errar e aprender, você foi lá e amarrou, “pra ganhar tempo”. Depois, reclama que ela “não faz nada sozinha”. Mas como vai aprender, se toda vez que há um desconforto, você corre pra salvar?
A verdade é dura: a vida não protege os que não sabem lidar com dificuldade. Essa ideia de que “o importante é participar” não prepara ninguém pra vida real. Lá fora, quem vence é quem se dedica, quem treina, quem se esforça. E é isso que eu ensino pros meus filhos. Quer ser bom no futebol? Treina. Quer se destacar no jiu-jitsu? Se esforça. Porque a vida não é um parque de diversões. É um campo de treino.
Pra criar filhos fortes, a gente precisa deixar eles enfrentarem o desconforto. Deixar eles sentirem frio, errar, cair, levantar. Deixar eles perceberem que existem pessoas melhores em certas coisas, e tudo bem. Nós somos o primeiro espelho deles. Se somos impacientes, frágeis e imediatistas, é isso que eles aprendem.
Quer que seu filho seja forte? Então comece amadurecendo. Deixe ele se frustrar. Deixe ele resolver. Deixe ele crescer. Porque, no fim das contas, a maior barreira pro desenvolvimento dos nossos filhos é, muitas vezes, a nossa própria imaturidade.
Abraço forte,
Nícolas Avelino
DEUS EXISTE.
