Fala, meu irmão!

Em 2020 eu vendi a última geladeira do restaurante.

Quase 18 anos trabalhando com a mesma coisa — desde muito novo, os últimos 10 no meu próprio negócio — tinham deixado de existir num golpe só. A pandemia fechou tudo de vez, sem meio termo. Dirigindo sozinho na estrada, com aquela geladeira vendida, cheio de dívida, eu não sentia que tinha perdido um eletrodoméstico. Senti que tinha vendido o último suspiro físico de uma vida inteira de trabalho.

E mesmo isso já não tapava mais o buraco.

Eu fiz as contas. De verdade. Calculei que a família ficaria com o seguro do carro, que Carol voltaria pros pais dela, que venderiam a casa, que ficariam melhor sem mim.

Se você nunca chegou perto desse cálculo, graças a Deus. Se já chegou, você sabe do que eu falo. Não é drama. É uma lógica fria que faz sentido na hora, e que é mentira do início ao fim.

Naquele mesmo dia eu cheguei em casa e meus filhos queriam assistir O Rei Leão de novo. Deitamos um de cada lado. Quando o Mufasa morre, a Maria me abraçou e começou a chorar — e eu também.

Foi ali, com a mão pequena dela segurando meu braço, que eu entendi.

Eles prefeririam ter você todos os dias do que qualquer quantidade de dinheiro.

Eu não era o salário que eu não estava mais trazendo pra casa. Eu era o pai que eles tinham. E naquele momento, era só isso que importava pra eles.

Se você está lutando com esse pensamento hoje — o de que a sua família ficaria melhor sem você — eu preciso te dizer isso de homem pra homem: é mentira. Procure alguém. Fale com sua esposa, com um amigo, com um profissional, com um padre. Não carregue essa conta sozinho.

Deus não mede seu valor pelo extrato bancário. Ele te deu esses filhos pra você ser pai deles — não provedor perfeito, não empresário de sucesso. Pai.

Você não é o que você ganha. Você é o pai que eles têm.

Forte abraço,
Nicolas Avelino

DEUS EXISTE

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