Outro dia, vi um grupo de pais e mães revoltados com a escola por causa do ar-condicionado. “Tá muito frio, meu filho tá com frio!”, diziam. E logo começam os telefonemas, pedidos, reclamações.

Mas será que estamos mesmo ajudando nossos filhos quando resolvemos até o ar-condicionado por eles?

A verdade é que isso é criar filhos frágeis. Se a gente não deixa nossos filhos enfrentarem nem um friozinho, quando é que eles vão aprender a resolver os próprios problemas? Tá com frio? Coloca um moletom. Ainda tá desconfortável? Fala com a professora. É assim que eles aprendem a se virar. Só que a gente prefere resolver por eles, e o resultado é uma geração que acredita que o mundo precisa estar sempre confortável.

A vida real não tem pena de quem não aprendeu a lidar com desconforto. Se a gente não permite que nossos filhos enfrentem pequenas dificuldades agora, em um ambiente seguro, eles crescerão sem saber lidar com as grandes. Quer um filho forte? Então deixa ele passar um pouco de frio. Deixa ele resolver. Ninguém morre por causa de desconforto, mas muita gente sofre por nunca ter aprendido a suportá-lo. A vida recompensa os que se adaptam, os que persistem, não os que são protegidos de cada desafio.

Quando chega a hora de amadurecer, o resultado aparece. Por que ele ainda não toma banho sozinho? Porque a gente acostumou ele a depender de nós. Por que não sabe amarrar o cadarço? Porque sempre teve alguém por perto “dando uma ajudinha”. Queremos filhos fortes, mas criamos crianças que não toleram o menor desconforto. E, no fundo, o problema não está neles. Está em nós. Nos nossos medos, na nossa pressa, na nossa dificuldade de ver o filho se frustrar. Cada vez que resolvemos algo que eles poderiam resolver sozinhos, roubamos deles a chance de crescer.

Deixa o moleque sentir o frio. Deixa ele aprender a lidar com a dificuldade. Porque é no desconforto que ele vai aprender. É ali que ele vai crescer. E um dia, quando ele enfrentar os grandes desafios da vida, você vai ver: aquele pequeno frio que ele superou lá atrás fez toda a diferença.

Abraço forte,

Nícolas Avelino

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